Certamente não foi assim que Saramago começou, mas eu quero acreditar que seja um grande avanço, em se tratando de moá, ter um surto de escrever assim, do nada, e nem bêbada estou mais... creia você! Talvez essa merda dê em alguma coisa.
Bem, sei lá, o que pode ter me trazido aqui? Talvez a falta de paciência mesmo. Não a falta de paciência de rotina, aquela que começa a se esgotar com o primeiro derramar do chuveiro gelado porque a resistência caiu, e termina bem antes do que devia com o precioso esguelar das tuas doces e discretíssimas colegas de trabalho: é aquela paciência com a vida mesmo, com as pessoas e suas estupidezes e patetices e tudo mais, falta de paciência com a cretinice da vida como um todo, te digo como é: é exatamente aquele cansaço que se sente ao se contar os segundos para acabar um belo pôr do sol, quando é hora de se dar conta que a modorrice da vida te espera logo ali do lado da tua paz silenciosa, e que provavelmente tu é só mais um imbecil se achando mais profundo por isso.
E, querido blog ohn fofura, eu não tenho mais ninguém no mundo pra falar merda, porque não tenho paciência com mais ninguém, então vai tu mesmo e isso explica teu nascimento. Não é romântico, mas pelo menos tu sabe a que veio pra esse mundo, não? Privilégio para poucos, querido.
Pena que tu não pode estar comigo nas horas em que mais odeio a vida, tipo, quando eu vejo o babaquinha na balada, posiçãozinha clássica segurando a garrafinha de cerveja e vasculhando o ambiente para achar um salamito gordo atochado em um vestido branco daqueles franzidinhos na bunda pra afofar, é foda. Cacete, eu sou rabugenta mesmo! Véia até dizer chega. Pega, toma pra ti a razão, toda a razão, não quero razão porque razão não vai me fazer menos miserável tipo vinho faz. Por que as pessoas querem tanto ter razão, sexo barato, uma vidinha escrota de sucesso e uma posição pra esfregar na cara dos coitados que não estão no camarote VIP? Chega, falei que isso não ia dar certo.
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